sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Gambiarra Profana 9



A nona edição deste zine apresenta uma seleção de poesias editadas pela Gambiarra Profana em livros confeccionados de forma alternativa, que publicados independentemente, contaram apenas com o apoio dos poetas relacionados a obra, e do empenho ímpar da Folha Cultural Pataxó, que sem o seu insubstituível compromisso com a contracultura, nada do pouco que literariamente temos seria possível.
A parceria entre a Gambiarra Profana e a Folha Cultural Pataxó começou efetivamente no ano de 2000 com o livro Os covardes Também Cantam Canções de Amor de Sergio-SalleS-oigerS. De lá pra cá , foram concebidos sete livros desta união, dente eles os mais recentes são: Causo e Poesias de Adelino Filho; Cada Passo, Um Pedaço de Fabiano Soares da Silva; Bagagem de Mão de Jorge Medeiros; Ventos na Primavera de Arnoldo Pimentel.
Ao todo foram garimpados nove obras para tecer a nona edição da Gambiarra Profana. Contendo a individualidade pertinente de cada poeta que compartilham a generosidade dos que leem para serem lidos.



Ilustrações: Fabiano soares da Silva.
Música: Santo Cosme e São Damião de Sergio-SalleS-oigerS.
Arranjo e Execução: Agnaldo Estrela e Sergio-SalleS-oigerS.
Edição de Vídeo: Sergio-SalleS-oigerS.

sábado, 24 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Caçada dos Instantes




É um antigo sonho que se rematerializa
Em formas insanas e incoerentes
Uma tela que se repinta em cores diferentes
Nela dois sinistros pequenos círculos próximos
Me perseguem pelo quadro de imagem árida
Penso que são seus firmes olhos
Mas são os penetrantes olhos de uma águia
Ao despertar não consigo conter o motim que há no leito
Dos fragmentos que surgem no meu ócio
Como um fino som agudo no peito
Surgido aos poucos no fundo do silêncio
Os fragmentos são meus queridos amigos fantasmas
Testemunhas únicas do louco nascedouro de minhas palavras
Arautos de um cruel pôr-do-sol que invade
O crepúsculo evasivo e selvagem de antigas horas
Mas lembro que antigamente as tardes
Eram mais tranqüilas, quase mortas
Na caçada dos instantes
Reverberam inúteis certezes cínicas, incessantes
Vigiando tempos
Perscrutando previsões
Acossando momentos
Tocaiando as ocasiões
Tudo constantemente uma coisa na outra implica
Nada nasce do nada
E até o nada se recicla.

Marcio Rufino
Todos os direitos reservados.

sábado, 17 de setembro de 2011

Negritude




Eu sou negro
Quero que meu tronco
Seja seu corpo
E minhas algemas e grilhões
Sejam seu abraço.

Eu sou negro
E não quero que você
Me venda
Quero que você me entenda
Quero que minha presença
Seja o real navio negreiro
Que me liberte do negro afro
E me leve a um sentimento ladino
Me leve ao encontro do negro latino
Dentro do complexo quilombo-continente
Que há em mim.

Pois, então venha
Que ainda sou negro
E meu maior segredo
É que nem abolições, nem cotas
São remédios, nem apagadores
Não desaparecem com as dores
De um passado cruel.

Por isso sou negro
Porque não quero
Que falsos sorrisos e hipócritas políticas
Substitua chibatas
Quero que o amor valha
Para além do samba e da cocada
Para muito além da feijoada.
Pois minha alma é incolor
E ao mesmo tempo tem todas as cores
Possui todos os odores
Que podes supor.

E não há como ser negro
Sem um pingo de maldade
Sem um pingo de piedade
Dentro do quengo.

Pois venha
E quando quizeres me seduzir
Não serei mais um simples negro
E sim a noite que se fez em homem
Pra te possuir.


Marcio Rufino
Todos os direitos rteservados.
Crédito de imagem: Site Paixão e Romance.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

...

corra da sala de TV e do PC
vá pra laje
e veja a amplitude em hight definition
vá pra rua
e veja a amplitude em 3D.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um ar que falta

Falta-me o passo firme
olhar a brisa
encontrar teu rosto
que o devaneio consome
veja que criatura
cultiva em teu posto
passos desatinos
terrivelmente
taciturno
remediar a vida acontecendo
Pela manhã
onde andará?
olho para todos os lados
me desequilibro
volto na contramão
risco o chão com o meu caminho
e arrisco ter todas as cores
todas as letras do teu livro
Para mim?
Oh! Quão tolo!
Fazer poesia em solo nômade
É esperar que o mundo a revelia
faça girar a borda da saia.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

POESIA DE VERDADE ( Arnoldo Pimentel )


                                                    Arnoldo Pimentel e Sérgio Salles-Oigers


                                                    Márcio Rufino e Sérgio Salles-Oigers

                              Rodrigo Souza, Sérgio Salles-Oigers, Fabiano S. Silva e Jorge Medeiros
 
Sérgio Salles-Oigers e Lenne Butterfly     

                                         Gambiarra Profana no Teatro do Sesc Nova Iguaçu RJ


Numa esquina de Bel
E espero o Madureira-Nova Aurora passar
Ir de carro ou moto pra lá nem pensar
Gosto de ir livre
Sem pensar em como voltar
E é lá em Nova Aurora
Numa pequena loja de informática
Onde me sinto um “Andarilho Hospedeiro”
Que nos juntamos
Para ouvir músicas
Cantar, tocar violão
Contar causos
Falar de filmes livres
Como “Sem Destino”
E declamar poesias
Que me sinto imensamente feliz

quarta-feira, 7 de setembro de 2011